quinta-feira, 27 de março de 2014

A Criméia é a nova Forcas Caudinas ou "Gato escaldado por russo tem medo até de vodca gelada!"

É com bastante alegria que apresentamos aos Amigos e Leitores um novo colaborador da ACIR. Na verdade, a ACIR é que sente-se honrada em ter a permissão de trazer para nosso espaço os Textos do Frei Clemente Rojão.

Segue seu primeiro post, com algumas modificações estéticas, mas palavras do amigo Frei Clemente
 
 Forcas Caudinas




Disseram que eutinha resposta para todos os problemas da Igreja e do mundo, pois bem, vou falar então de estratégia militar, vestindo o elmo de Cipião. Ah, e se me chamarem para palestrar no Clube Militar, vou lá chupandomelancia, quem sabe eles captam a mensagem, ehehehe? 

Acho que o governo da Ucrânia faz bem em evacuar seus soldados, mesmo desarmados, da Criméia. Eu explico fazendo um paralelo histórico:


Na segunda guerra samnita, num brilhante lance de tática militar, o exército romano foi encurralado pelos samnitas, povo do sul da Itália guerreiríssimo de valor semelhante aos romanos. Os romanos ficaram presos no desfiladeiro das Forcas Caudinas, com samnitas fechando as duas saídas e montando guarda por cima das escarpas inacessíveis. Ou seja, poderiam matar todos os romanos com segurança lá de cima. Os samnitas deram um ultimatum aos romanos, que se rendessem e fizessem a paz, já que era a primeira vitória contra os romanos que conseguiam em anos (haviam perdido a Primeira Guerra Samnita).


Tito Lívio conta que o pai do general samnita aconselhou o filho a matar todos os romanos, assim eles teriam a paz já que os romanos ficariam sem exército. O general achou crueldade extrema. Então seu pai o aconselhou a que deixassem os romanos sair tais quais, em anistia, sem humilhação, com tudo o que tinham. O general seu filho também não concordou, queria humilhar os romanos. O pai previu então que os samnitas ainda levariam a pior, porque iriam apenas humilhar os romanos, que voltariam com mais gana de se vingarem. Ou fizessem o mal exterminando os soldados ao ponto dos romanos não conseguirem contra-atacar por estarem sem exército, ou fizesse o bem, pagando os romanos a guerra com tanta magnanimidade que nenhum romano teria mais coragem de atacar um povo tão bom. Mas nunca deixar homens vivos e humilhados.

 Putin, nem sua sombra fica de costas para ele



Os samnitas forçaram o cônsul romano a assinar um tratado de paz para salvar o exército. Sob intensa humilhação, os soldados romanos foram despojados de suas roupas e vestes, voltando nus para Roma, numa cerimônia celebrando a sujeição deles aos samnitas. Os romanos receberam bem seus soldados, que ficaram em suas casas vivos mas mortos de vergonha.


Uma vez com a tropa em casa, coberta de vergonha, o Senado Romano não ratificou o tratado de paz com os samnitas, já que o cônsul romano, ainda que fosse o "presidente" da República, não tinha autoridade para assinar a paz sem o Senado. E tratou de armar de novo aquele exército humilhado, cujos soldados estavam sedentíssimos por vingança.  O exército romano voltou a atacar os samnitas que em vão reclamavam que o tratado de paz estava sendo violado. A vitória romana foi certeira e decisiva, e de vencedores os samnitas foram subjugados e passaram pela mesma humilhação que fizeram aos romanos. Anos depois, na terceira guerra Samnita, os romanos os destroçaram e derrotaram de vez, anexando às terras samnitas ao Império Romano e acabando com sua independência.




Ou seja, o governo ucraniano se viu na mesma contingência que os romanos: seus soldados estavam presos em suas bases, seriam exterminados pelos russos se resistissem, haviam perdido toda a marinha, e a província estava coalhada de inimigos. Para que seriam mortos a toa? Deixem os russos ficarem com meia dúzia de fuzis velhos! Que os soldados ucranianos voltem, ainda que virtualmente nus, para casa para se rearmarem e defenderem a Ucrânia de uma invasão russa a leste... ou mesmo se prepararem para dar o troco nos russos. Para que morrer a toa, se poderiam escapar? Ganha a guerra quem se permite lutar no outro dia. Mais vale para a Ucrânia estes homens vivos para voltarem a lutar que mortos. A Rússia já têm a Criméia por mão militar com eles vivos ou mortos. Pelo menos os ucranianos se permitem terem mais homens a defender a pátria. A Ucrânia precisa resistir para entrar na União Européia e a OTAN, ai ficará intocável, como intocáveis estão as historicamente invadidíssimas Polônia e Lituânia (gato escaldado por russo tem medo até de vodca gelada!).


Fez bem a Ucrânia. Engula-se o orgulho e sobreviva-se o exército para lutar um outro dia. 

Mas não acredito, como diz o Obama, que a Rússia invadiu o vizinho porque perdeu e está fraca. Que fraqueza é esta que tunga uma província do vizinho? Então a Alemanha em 1939 estava fraquíssima, fraca demais por invadir a Áustria, a República Tcheca, perdidamente fraca por invadir a Polônia e a França! Fraca demais! Praticamente morta de fraqueza. Parece a lógica daquele cara que leva um murro quebrando seu nariz e se gaba de ter sujado de sangue seu agressor. Rá, rá, rá, a Rússia está fraca mas tungou a Ossétia do Sul, a Abicásia, a Transnístria e agora a Criméia, rá rá rá, que fracotes!!! Imaginem quando invadir a Ucrânia continental mesmo, pfff, fraqueza demais!!! 

Editado e postado por Maximus Decimus Meridius

Fonte: http://freirojao.blogspot.com.br/2014/03/a-crimeia-e-nova-forcas-caudinas-ou.html?showComment=1395945169813#c2895908996888855186

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