quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Paradoxos do Verdadeiro Amar

"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção." 
(Saint-Exupéry)

   Em um mundo onde cada vez mais nos distanciamos do amor, fica difícil compreender esse sentimento tão complexo e ao mesmo tempo tão essencial.

   Perdidos em um turbilhão de dúvidas e incertezas a respeito do verdadeiro modo como amar, ficamos de mãos atadas e na medida em que o mundo distorce esse sentimento tão puro e verdadeiro, perdemos com isso a capacidade de raciocinar e confusos vagamos sem entender o porquê de muitas coisas que nos rodeiam.

   Com base no pensamento de Saint-Exupéry fica difícil entender o que é amar se olharmos para sua afirmação de modo negativista e surperficial. A compreensão clara da finalidade do amor não está no fato de ser pessoas amorosas, mas na capacidade que temos de vivenciar com clareza, coesão e acima de tudo, com verdade o amor que sentimos.

   O "olhar para o outro" traduz um certo comodismo. O cotidiano, que quando não fere, traumatiza; quando não ajuda, atrapalha. Pois, quando olhamos um para o outro só vemos o outro. Face a face fica difícil perceber os objetos, as coisas que nos rodeiam. Significa, sem dúvida alguma, fechar-se para o mundo ao redor. E isso não é amor. É endeusamento do outro, aceitação passiva da realidade, do outro como ser acabado e perfeito; enfim, é repouso quando a vida é movimento.

   Olhar "na mesma direção" também não significa concordância em tudo. Pelo contrário, é o olhar que sonda o conjunto, que vai além do "nosso mundinho florido e cor de rosa". É a capacidade de escolha, a gama de caminhos e opções que a vida nos coloca. É querer ir ao cinema quando o outro quer ir ao parque, e no fim das contas, os dois vão a praia depois de acalorada discussão das opções em questão.

   O amor nunca deixará de nos questionar. Sempre nos levará pelos seus caminhos incompreensíveis, e nunca estaremos suficientemente esclarecidos sobre o que verdadeiramente significa amar, pois como dizia Gibran, "ainda que o amor vos possa coroar, ele também vos pode crucificar. Ainda que seja para vosso crescimento, também contribui para podar-vos."

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Por Dafoe

  

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Frase do Dia

"É bonito fundar celeiros onde enceleirar sementes. E, contudo, só têm sentido desde que lá guardes essas sementes para as dispersar no inverno."

Antoine de Saint-Exupéry

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Por Saulo de Tarso

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma Guerra Silenciosa e Cruel



Todos os dias tombam silenciosamente policiais militares em todo o Brasil. Morrem defendendo a Sociedade, cumprindo seu dever sagrado de proteger o cidadão; morrem emboscados sem chance de defesa por criminosos covardes, pelo simples fato de tentarem cumprir sua missão; morrem esquecidos, enquanto a Sociedade insiste em aumentar-lhe o jugo; enfim, morrem e no cumprimento de sua missão sagrada.
    
   Essa é a vida do policial militar, que honestamente exibe o emblema de sua corporação e o honra; que dia após dia perde suas noites de sono e seu precioso sossego no seio de sua família. Uma vida atribulada e cheia de incertezas e dificuldades. Permeada de dissabores e fadada na maioria das vezes ao esquecimento, à mutilação ou mesmo a morte.
    
   Com esta guerra declarada aos policiais militares de São Paulo – que o Governo Paulista insiste em negar -, percebemos o quanto a vida de um pai de família é insignificante para esses algozes que insistem em caçar os PM’s como se estes fossem animais que se caçam para o abate.
   
    É certo e provável que no seio da Polícia Militar existem pessoas que não merecem vestir a farda que ostentam, e desviando-se de sua missão primordial cruzam a linha que os separa de criminosos. Formam o que designam como “esquadrões da Morte”. Que matam indiscriminadamente pelo mero prazer de matar, ao contrário daqueles que matam no estrito cumprimento do dever legal.
    
   Esses últimos são infelizmente confundidos com os “maus policiais” e pagam com suas vidas pelos erros cometidos pelos companheiros que praticam a truculência e valorizam a violência gratuita como forma de auto-afirmação.
    
   Até no meio criminoso há uma regra de conduta, um código de honra. O PM que tem ciência de sua vocação como defensor da vida, sabe que não receberá nada em troca pelo serviço que presta; sabe que o bandido que prendeu mais tarde estará de volta às ruas; sabe que não deve tirar a vida daquele que se rende mesmo que tenha estado de arma em ponho instantes antes; sabe que uma vida tem valor infinito, embora seu oponente não compartilhe do mesmo ideal; sabe que depois das 24h estará de volta ao seu lar e que não há coisa melhor do que terminar o serviço de cabeça erguida e com as mãos limpas, a certeza do dever cumprido e a consciência em paz.
    
   Mas esses homens valorosos estão sendo caçados, mortos covardemente sem a mínima chance de defesa.
    
   Que a Sociedade compreenda o valor do Policial Honesto e saiba distingui-lo daquele que se deixa corromper. Que os próprios criminosos reconheçam que um dia seus familiares necessitarão dos serviços desses homens. Que os que merecerem, paguem pelos seus atos. Se tiverem derramado sangue inocente, que lhes seja cobrado àquilo que devem. E que Deus abençoe todos os que insistem em continuar lutando por um futuro onde não seja necessária a arma na cintura e as guarnições de patrulhamento.

Por Maximus Decimus Meridius

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Dedo por Trás do Gatilho



“Aquele que vive pela espada, morrerá pela espada” (Mateus 26,52)




Quando atirou a primeira pedra - no tempo das cavernas - e viu o potencial destrutivo da sua ação,  o homem descobriu uma das formas mais vis de praticar o mau e a injustiça: a covardia de tirar a vida do semelhante.
    
   Covardia. Essa é a palavra correta para designar a ação do homem que tira a vida de seu semelhante por meio de ardis como armas de fogo, emboscadas e táticas que não oferecem nenhuma defesa àquele que tem sua vida ceifada de modo violento.
    
   A morte violenta, embora justificada, não é um sinal de prevalecência do mais forte. Pelo contrário, é a assinatura de um atestado de que quem mata é incapaz. Incapaz de conviver com o outro. De ser superior a todo e qualquer obstáculo que a vida lhe opõe. Há muita diferença no ato de reagir à determinada ação e dela subtrair a vida de outrem, e planejar a morte e alguém por motivos não raramente fúteis e banais.
    
   Certos também, de que a vida obedece a uma “ordem cíclica”, e que “pagamos aqui” o bem ou o mal, aquele que mata sem dar chances de revide é covarde porque se julga incapaz de estar cara a cara com a vítima e dizer-lhe aquilo que deseja. Talvez essa abordagem da morte seja um pouco simplória, todavia, é uma verdade que precisa ser engolida por aqueles que tendem a usar da emboscada, da surpresa e dos ardis vergonhosos para matar.
    
   O uso da arma de fogo – seja qual for o seu potencial de alcance – é vista dessa maneira como uma extensão do braço do agressor. Mais uma forma que aponta a incapacidade de aproximação, a certeza da covardia, o medo de se aproximar, a incapacidade de ser Homem. Visto por essa ótica, o homicídio nas circunstâncias elencadas acima não passa de uma forma grotesca pela qual o Homem se mostra incapaz de conviver com o Mundo ao seu redor.
    
   A mão por trás do gatilho, a mão do covarde. Essa é a verdadeira face do Homem, que incapaz de conviver com o seu semelhante, arma-lhe uma emboscada e ceifa-lhe a vida covardemente. Não há outra definição, embora no decorrer da vida tenhamos que optar pela nossa própria existência.
    
   E para que ninguém se esqueça da Lei da Ação/Reação, Cristo mais uma vez nos deixa seu ensinamento: “aquele que vive pela espada, morrerá pela espada.”

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Frank Castle

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Com o Devido Respeito, e As Devidas Considerações...





... Feliz Dia do Professor!


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Por Maximus Decimus Meridius

A Metáfora da Água e da Pedra


" Olhem para a pedra e vejam como ela pesa. Ei-la rolando para o fundo da planície, colaboração de todos os grãos de pó que a constituem e pesam todos para o mesmo fim. Olhem para a água no depósito. Apoia-se contra as paredes e aguarda as ocasiões. Virá o dia em que chegará a ocasião. E a água pesa incansavelmente noite e dia. Dá toda a impressão de dormir e, no entanto, vive. Ei-la que se põe em marcha, que se insinua, à menor fenda que encontra. Dá com o obstáculo, contorna-o se lhe for possível. Se o caminho não leva a uma nova fenda que lhe abra outro caminho, parece regressar de novo ao sono. Longe dela, no entanto, desperdiçar ocasião que outra vez surgir. E, por vias indecifráveis, que calculista algum teria imaginado, uma leve pressão terá bastado para esvaziar o depósito das vossas provisões de água."

 Antoine de Saint-Exupéry; Cidadela XV

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Por Dafoe 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Feliz Dia das Crianças

"Então levaram crianças para que Jesus pusesse as mãos sobre elas e rezasse. Mas os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, disse: 'deixai as crianças, e não lhes proíbam de vir a mim, porquue o Reino do Céu pertence a elas.' E depois de pôr as mãos sobre as crianças, Jesus partiu daí."

Mateus 19, 13-15

Um feliz Dia da Criança

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Por Maximus Decimus Meridius

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A ACIR Parabeniza Joaquim Barbosa






Parabéns Ministro Joaquim Barbosa! É merecida e justa sua eleição para Presidente desta Corte que tanto necessita de pessoas como o senhor. A ACIR  se regozija com sua vitória.

Maximus Decimus Meridius

Missão da ACIR

"O mais importante, na construção do homem, não é instruí-lo, mas educá-lo e levá-lo até aqueles andares onde o que liga as coisas já não são as coisas, mas os rostos nascidos do laço divino; pois se ninguém desce ao teu encontro do alto da sua montanha e não te ilumina, tu não saberás que caminho seguir para te salvares."

Antoine de Saint-Saint-Exupéry, patrono e mentor  da ACIR

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Por Saulo de Tarso

Nota da ACIR Referente a Atitude da Igreja em Assu

"Só conheço uma liberdade, e esta é a liberdade do pensamento". (Antoine de Saint-Exupéry, patrono da ACIR)

   Em virtude da repercussão negativa do fato ocorrido na Matriz de São João Batista de Assu/RN, a ACIR vem através desta informar a todos que visitam nosso espaço que:

   * A Associação Críticos Intelectuais Reunidos não tem nenhuma relação com os POLÍTICOS de nenhuma Cidade do RN nem do Brasil;

   * A postagem do nosso fundador não tem como finalidade nenhuma atacar, desmerecer, julgar ou rebaixar nenhuma "autoridade" da Cidade de Assu, muito menos insuflar correligionários de partido A ou B;

   * O único objetivo da postagem foi mostrar por A+B que dentro da Igreja recebida por Pedro das mãos do Mestre, o que vale é INFLUÊNCIA. Tê-la e exercê-la, prejudique quem prejudicar. Em nenhum momento Maximus Decimus Meridius citou nomes, somente disse que a PALAVRA do PASTOR foi QUEBRADA;

   * Mais uma vez - repito - a postagem seria lançada se as coisas fossem ao contrário, pois não tem fins eleitoreiros nem partidários;

   No que tange aos comentários, todos são aceitos. A ACIR não cerceia o DIREITO de EXPRESSÃO de ninguém. Apenas pede aos leitores que:

   * Evitem imprimir em seus comentários "fins politiqueiros". A ACIR respeita as opções políticas de cada pessoa, bem como aquele que foi eleito pelo POVO e parabeniza-o. Essa não é uma questão POLÍTICA!;

   * Busquem ver com outros olhos essa atitude e reflitam sobre o verdadeiro papel da Igreja.

   Mais uma vez a ACIR agradece as visitas e reafirma seu compromisso com a Verdade e a Justiça.

Grato pela atenção e compreensão,

Frank Castle
Relações Públicas da ACIR

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Desabafo de Um Católico



“Você se deitava e se prostituia no alto de qualquer colina mais elevada ou debaixo de qualquer árvore frondosa.” (Jr2, 20)

“Deus não faz diferença entre as pessoas.” (Gl2, 6)

“... entre vós não seja assim...” (Mc 10,43)

O senhor vai-se arrepender de suas brincadeiras, jogando a Igreja contra Antônio Morais. Uma vergonha, uma desmoralização!” (Auto da Compadecida)



Não é de hoje que a nossa Igreja Católica Apostólica Romana vive á sombra dos Poderosos, primando pelos seus interesses pessoais e esquecendo-se do rebanho que lhe foi confiando por Aquele que a desposou.
    
   O mais lamentável talvez, não seja essa submissão cega da “autoridade religiosa” a “autoridade secular”. O mais lamentável é a falta de palavra de nossos pastores (ou a incapacidade de mantê-la diante de seus superiores) e a sua acepção descarada por aqueles mais favorecidos ou aqueles que lhes convém apoiar. De um homem, a única coisa que se aproveita é a palavra. Nos tempos de outrora o homem valia não pelo que possuía de bens materiais, mas pela palavra que empenhava. Mas os tempos mudam.
    
   Como Católico – independente de conotação política – sinto-me envergonhado diante da falta de palavra (ou como disse anteriormente, daqueles que o tenham forçado a quebrar sua palavra) de nosso pastor, que no púlpito gritou a plenos pulmões que no domingo (07/10) haveria apenas duas missas e que a Matriz de São João Batista seria fechada. Lacrada – para todo e qualquer cristão - e somente aberta na segunda feira após o pleito, “chorando quem perdesse e comemorando quem ganhasse.”
    
   Subtende-se ou subtendia-se naquela homilia que essa atitude refletia a posição do sacerdote em não se envolver em polêmicas partidárias; mas em casa que duas pessoas mandam não se pode confiar que a palavra empenhada possa ser cumprida por uma das partes. Embora não tenha partido do Titular da Paróquia – se é que ele não estava a par da situação – essa atitude só veio reforçar a ideia de que não há como acreditar que a Igreja faz a opção pelos pequeninos e é totalmente isenta e imparcial diante dos fatos. Que ela esteve e sempre estará ao lado daqueles que detém o poder, e que não há nenhum empenho em se desapegar do poder terreno, isso ninguém tem dúvida; e ficou perfeitamente claro com essa atitude.
    
   É público e notório que a Instituição que escolhi para viver e morrer apenas usa em favor próprio o nome e a imagem daquele que ela alega representar terrenamente. Quando falo isso não quero generalizar, pois ainda existem clérigos empenhados em desmistificar essa submissão da “autoridade religiosa” a “autoridade secular”, em especial àquela que é política. Mais uma prova daquilo que pus em negrito acima como destaque nas palavras do Profeta Jeremias, do Evangelista Marcos, do Apóstolo dos gentios e do sábio Suassuna; este um dos melhores “pintores” da realidade da Igreja.
    
   Gostaria de deixar claro também, que respeito e admiro a pessoa do nosso Administrador e que não será esse triste fato que irá abalar nossa amizade. Ninguém é perfeito, e completamente isento de influências. A grande verdade, por outro lado, é que ele ou o outro são membros de uma Instituição que se vende a quem dá mais e, portanto, submete seus subordinados a esses vexames. Mais uma prova de que “todo mundo tem o rabo preso”.
    
   A única coisa que não muda depois disso é a certeza e a convicção de que somente Cristo vale a pena. Se é que daqui a pouco não vão destroná-lo e no seu lugar colocar um manda chuvas mais “poderoso”.
    
   Fico triste com isso. E indignado como Católico e não como “ser político” – pois não dependo de nenhum dos concorrentes para colocar o pão em minha mesa, muito menos recebi nenhuma proposta tentadora que me levasse a tender para nenhum dos lados e estaria fazendo o mesmo se isso ocorresse com o “do lado de lá” – finalizo com as sábias palavras de Dom Eugênio Sales: se ser conservador é ser fiel a Jesus, é o que eu quero ser. Se é se negar a defender as pessoas e a cumprir o Evangelho, aí não.”
    
   Que esse triste fato (de repercussão negativa e vergonhosa) sirva de exemplo, e que nossa Igreja veja a quem realmente ela está valorizando com suas atitudes e suas escolhas.

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Fonte da Imagem: http://www.blogdovt.com/

  Por Maximus Decimus Meridius