“Você
se deitava e se prostituia no alto de qualquer colina mais elevada ou debaixo
de qualquer árvore frondosa.” (Jr2, 20)
“Deus
não faz diferença entre as pessoas.” (Gl2, 6)
“...
entre vós não seja assim...” (Mc 10,43)
“O senhor vai-se arrepender de suas brincadeiras, jogando a Igreja
contra Antônio Morais. Uma vergonha, uma desmoralização!”
(Auto da Compadecida)
Não
é de hoje que a nossa Igreja Católica Apostólica Romana vive á sombra dos
Poderosos, primando pelos seus interesses pessoais e esquecendo-se do rebanho
que lhe foi confiando por Aquele que a desposou.
O mais lamentável talvez, não seja essa
submissão cega da “autoridade religiosa” a “autoridade secular”. O mais
lamentável é a falta de palavra de nossos pastores (ou a incapacidade de
mantê-la diante de seus superiores) e a sua acepção descarada por aqueles mais
favorecidos ou aqueles que lhes convém apoiar. De um homem, a única coisa que
se aproveita é a palavra. Nos tempos de outrora o homem valia não pelo que
possuía de bens materiais, mas pela palavra que empenhava. Mas os tempos mudam.
Como Católico – independente de conotação
política – sinto-me envergonhado diante da falta de palavra (ou como disse
anteriormente, daqueles que o tenham forçado a quebrar sua palavra) de nosso
pastor, que no púlpito gritou a plenos pulmões que no domingo (07/10) haveria
apenas duas missas e que a Matriz de São João Batista seria fechada. Lacrada –
para todo e qualquer cristão - e somente aberta na segunda feira após o pleito,
“chorando quem perdesse e comemorando quem ganhasse.”
Subtende-se ou subtendia-se naquela homilia
que essa atitude refletia a posição do sacerdote em não se envolver em
polêmicas partidárias; mas em casa que duas pessoas mandam não se pode confiar
que a palavra empenhada possa ser cumprida por uma das partes. Embora não tenha
partido do Titular da Paróquia – se é que ele não estava a par da situação –
essa atitude só veio reforçar a ideia de que não há como acreditar que a Igreja
faz a opção pelos pequeninos e é totalmente isenta e imparcial diante dos fatos.
Que ela esteve e sempre estará ao lado daqueles que detém o poder, e que não há
nenhum empenho em se desapegar do poder terreno, isso ninguém tem dúvida; e
ficou perfeitamente claro com essa atitude.
É público e notório que a Instituição que
escolhi para viver e morrer apenas usa em favor próprio o nome e a imagem
daquele que ela alega representar terrenamente. Quando falo isso não quero
generalizar, pois ainda existem clérigos empenhados em desmistificar essa
submissão da “autoridade religiosa” a “autoridade secular”, em especial àquela
que é política. Mais uma prova daquilo que pus em negrito acima como destaque
nas palavras do Profeta Jeremias, do Evangelista Marcos, do Apóstolo dos gentios
e do sábio Suassuna; este um dos melhores “pintores” da realidade da Igreja.
Gostaria de deixar claro também, que
respeito e admiro a pessoa do nosso Administrador e que não será esse triste
fato que irá abalar nossa amizade. Ninguém é perfeito, e completamente isento
de influências. A grande verdade, por outro lado, é que ele ou o outro são
membros de uma Instituição que se vende a quem dá mais e, portanto, submete
seus subordinados a esses vexames. Mais uma prova de que “todo mundo tem o rabo
preso”.
A única coisa que não muda depois disso é a
certeza e a convicção de que somente Cristo vale a pena. Se é que daqui a pouco
não vão destroná-lo e no seu lugar colocar um manda chuvas mais “poderoso”.
Fico triste com isso. E indignado como
Católico e não como “ser político” – pois não dependo de nenhum dos
concorrentes para colocar o pão em minha mesa, muito menos recebi nenhuma
proposta tentadora que me levasse a tender para nenhum dos lados e estaria
fazendo o mesmo se isso ocorresse com o “do lado de lá” – finalizo com as
sábias palavras de Dom Eugênio Sales: se
ser conservador é ser fiel a Jesus, é o que eu quero ser. Se é se negar a
defender as pessoas e a cumprir o Evangelho, aí não.”
Que esse triste fato (de repercussão
negativa e vergonhosa) sirva de exemplo, e que nossa Igreja veja a quem
realmente ela está valorizando com suas atitudes e suas escolhas.
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